soul talk

Sean Gilhooley Australia, 1968

Segunda, Março 16, 2015 0 Comments 5 Likes
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Sean Gilhooley é um australiano de 45 anos, surfista desde os quinze anos e em Bali faz seis anos. Precisamente em Bali é onde arrancou sua carreira de videografista de surf, primeiro filmando surfistas desde um warung em Ulus e, depois, trabalhando para o Pro Tour da Indonésia, e penetrando agora, com INDO, em projetos mais ambiciosos. Lançado no início de 2013, INDO é o seu pimeiro debute como diretor de filmes levando-lhe a ganhar reconhecimento e fãs na Indonésia e no exterior. Tendo aprendido com seus mentores Jack McCoy e Matty Guy e com alguns dos melhores fotógrafos de surf que vivem em Bali, além de incontáveis horas de auto-estudo e pesquisa na Internet e a sua própria experiência através de tentativa e erro, Sean fez uma aposta. Nós juntamos para um pouco de Soul Talk.

 – A idéia
Como surgiu a ideia de INDO? Como eu trabalho no Pro Tour da Indonésia, eu conheço várias pessoas como Pipin e Betet. Assim, em 2010, 2011, o programa incluia as Mentawais, Nias, West Java, Timor Leste, Padang… Quando eu descobri, eu percebi que poderia fazer um filme. Até então as imagens que eu tinha eu as tinha subido para a Internet, mas quando eu vi que eu comecei a ter imagens de tubos de 12 segundos, eu soube que as queria em um DVD e não online. Acho que aos começos eu filmava o que for para o Tour, mas no final , todo o meu trabalho de câmera era focado na ideia de INDO, incluindo a filmagem feita em 5 trips de barco ao redor das ilhas. Qual era a sua ideia original para INDO? Inicialmente eu queria mostrar ao mundo aquilo que fosse único dos surfistas indonésios e mostrar algo que conectasse ás pessoas de uma forma um pouco mais de perto dos surfistas. Mas no final, percebemos que eles são como qualquer outro surfista.
– os surfistas
Não havia nenhuma diferença entre os pro da Indonésia e os pro ocidentais em termos de personalidades, estilos de vida, a forma de ganhar a vida, etc? Bem, sim, quem tem ido na Indonésia sabe como os indonésios vivem ao dia. Eles seguem suas necessidades imediatas mais do que qualquer coisa … tipo que se eles estão com fome ou sono ou qualquer outra coisa … e funcionam desde essa base. Os occidentais podem até que ser muito focados e motivados em suas carreiras. Os indonésios são mais tranquilos a esse respeito. Eu realmente aprendi muito com eles em termos de como viajar. Eles são muito respeitosos, no entanto eu, como australiano, muitas vezes não somos muito respeitosos. Quando viajamos para o estrangeiro tendemos a não nos comportar. Ironicamente, não importa onde estivéssemos eles sempre se proclamavam locais. Pegamos sempre as melhores ondas. É sim, de fato no filme um dos surfistas/narradores explica como os indonésios não levam o esporte a sério como os australianos, eles o levam mais tranquilos. Você acha que essa é uma razão pela qual eles não estão direto no top 44? Sem dúvida, isso contribui. No entanto, eles tem algumas limitações financeiras ao viajar. Os tops ganham um bom salário para a Indonésia, mas se fossem para a Europa, com o que eles vivem um mês aqui não lhes duraria sequer alguns dias ou uma semana. Então eles não tem um total apoio de seus patrocinadores para chegar aos 44? Certo… Bem… Eu acho que é difícil para os patrocinadores também. Porque a Indonésia é tão barato que quando você vai para outro lugar os preços podem ser até dez vezes mais pelo que é muito difícil uma vez que eles conseguem um patrocinador internacional … mhh … Mas se pensarmos em Oney Anwar quem alcançou o pódio na três eventos WQS em que participou… e recebeu um wild card para o Mundial Pro Junior … viu … é possível … pode ser também aquilo de ter umas vontades extras para estar ao nível alto. No entanto, alguns tentam. Dede Suryana tentou alguns anos no WQS. Ela ainda está tentando, eu acho… Indonésia tem as melhores e mais consistentes ondas do planeta. Se pensaria que eles teriam uma maior presença nos 44. Você acha que esse dia vai chegar? Acho que sim. Foi interessante o que aconteceu no WCT em Keramas; Putra Hemawan venceu o Brett Simpson (e fez suar um pouco ao Kelly Slater). Dadas as condições certas Putra poderia vencê-lo a pura base de tubos, mas ele venceu porque ele foi mas esperto. Então você vê uma progressão. E ele vai melhorar cada vez que ele competir. É também tem isso que esses surfistas não têm muita direção técnica. Na Austrália, se você chegar aos primeiros lugares ao nível estadual, logo logo você tem um treinador ao seu lado. Não creio que nenhum desses surfistas tenha um. Creio, no entanto, que o Oney está arrebentando, por isso, se ele fosse a entrar nos 44, o faria nos próximos cinco anos. O quão perto foi o relacionamento com os surfistas enquanto filmava INDO? Muito perto. Alguns deles são meus bons amigos. Sabe, bons amigos. Eu passei um tempo com Mustofa Jenksen e sua família. Nós dois temos recém-nascidos. Somos bons amigos.
– o dinheiro
Como financiou INDO? Ehhhm, nunca entrei numa reunião com alguma marca que dissesse que tinha orçamento. Geralmente é tipo, “não temos orçamento para isso.” Quase que tudo foi financiado por mim mesmo. Recebi muita ajuda de Little Thai de Bali Belly TV no que foi a embalagem. Jason Childs ajudou com a fotografia. Felizes de apoiar o projeto e não me cobraram. E outras pessoas também. Na hora de imprimir o DVD teve ajuda das marcas. Mínima, mas ajuda ao fim. Falando sobre financiamento, recentemente o Pro Tour da Indonésia perdeu o seu máximo patrocinador, a Coca Cola, como eles o levaram? Para mim foi um choque, porque eu perdi o meu salário! Mas de certa forma foi bom porque abriu a porta para o Pro Tour da Ásia. O Tour de Indonésia ainda está de pé, mas o incentivo é pequeno em comparação com os 100 milhões de rúpias que costumava ganhar o campeão e outras despesas que a Coca Cola pagava. Agora são as marcas que organizam os eventos as que custeiam as despesas. Por tanto os eventos serão muito menos este ano na Indonésia. Por isso estamos nos concentrando mais no Tour da Ásia que eu acho que é mais viável. Porque de ultima, se trata de vender um produto, você sabe. Vender uma bebida ou vender uma camisa ou qualquer outra coisa. Por isso, faz mais sentido tentar vender pela Ásia do que só na Indonésia.
– o público
Retornando ao INDO, qual foi o público que você tinha em mente quando imaginou esse projeto? Eu sempre fui esse tipo de fã de filmes de surf que conta com os filmes de surf quando não pode surfar. Eu queria chegar a esse surfista. Eu não tinha muita certeza de poder o marquetear a um nível global porque as pessoas me diziam que “o mercado de DVD está morto “, “bota no YouTube”. Felizmente para mim, na Indonésia e na Ásia em geral a cultura de filme de surf nunca existiu como na Austrália. Então você tinha o mercado indonésio em mente? Sim, é claro. Eu queria que todo o mundo na Indonésia assitise. E eu sei, pelo Tour da Ásia, que os surfistas indonésios têm muitos fãs; como na Tailândia, a garotada parando eles para pedir autógrafos e tudo isso. Eles são ícones em essas partes da Ásia. Eu achei estranho que toda a narrativa fosse em Inglês e eu não consegui encontrar legendas em Bahasa Indonesia… Como você esperava chegar aos fãs indonésios quando a maioria não consegue entender a história? Isso é uma coisa que definitivamente farei diferente na próxima. Vou colocar legendas de uma. Foi a minha primeira produção em DVD, então eu estava um pouco pressionado para poder fazer o lançamento antes do Natal. Mas eu definitivamente teria gostado de poder terlo feito. Como é INDO diferente de outros filmes de surf? Bem, tem havido filmes de surf com surfistas da Indonésia, mas acho que nunca houve um filme com apenas surfistas indonésios. Além disso, o nível de produção foi diferente com uma maior qualidade de equipamento do que tenha sido utilizado na Indonésia. Nós também usamos um número de cenas de água que não são tão populares nesses dias. E é muito mais difícil obter as tomas de água, e eu prefiro ver e filmar tomas de água. Você diria que INDO pertence ao gênero Surf Porn? Sim, sem duvida.
– o legal e o ruim o fácil e o difícil
Que parte do INDO você desfrutou mais? Estar na água e fazer aquela toma do lugar certo com a onda certa com o surfista certo e o momento certo, viu? Também gostei muito da estréia no Poco Loco com todo o pessoal, tivemos um par de patrocinadores de bebidas assim que estávamos todos um pouco bêbados e animados.
Como primeiro projeto ambicioso INDO acabou lhe parecendo, por vezes, um pouco abrumador, especialmente o lado comercial que Sean aparentemente não gosta para nada,te consome tempo e te abruma emocionalmente”. Thai Little arregaçou as mangas e Sean jurou nunca mais fazer algo parecido novamente sozinho”.
Quão difícil ou fácil você acha que é criar filmes de surf originais? Eu acho que é difícil. Você sabe, todo mundo tem ideias diferentes sobre o que fazer, mas materializar essas ideias é a parte mais difícil… Sabe, e como isso de que todo o mundo que vem para Bali tem uma ideia de fazer uma camisa… mas, viu, eu tenho respeito pelas pessoas que realmente fazem as coisas… você faz essa camisa, viu? É difícil ter ideias originais, mas é muito mais difícil tê-las e ás materializar.
– a música
Eu tinha uma lista de músicas que eu queria, mas algumas não deram. Combinei com uma produtora de música de filmes em Los Angeles, eu enviava as imagens juntamente com uma ideia do que eu queria e ai ela via o que ela podia fazer. Tivemos sorte com End of Fashion, que tinha acabado de despedir o seu agente, o maior obstáculo na obtenção de música, e ficaram amarrados em se aderir ao projeto. Kid Mac e eu já tínhamos trabalhado juntos assim que… e muitos também simplesmente felizes de poder mostrar a sua música. Então, depois de ter toda a música, eu via o qual ficava melhor com as imagens e a história.
– a cinematografia
Eu sou uma pessoa muito visual. Eu queria que o público viesse o que me alucina visualmente quando surfo ou filmo. Mas quando se se trata de filmar outra coisa, eu gosto de tentar coisas diferentes. Se estou filmado em terra gosto de ter algo na frente da câmera. INDO é descrito na capa do DVD por Matt George , editor de revista Surftime e ex-editor da Surfer Magazine como “a documentação de surf visualmente mas alucinante e surpreendente que tenha jamais saído da Ásia” O que você acha? Sim, eu fiz vários trips com o Matt e ele me deu um monte de material. É o escritor de “In God´s Hands”… e sim, foi um comentário fantástico, uma crítica muito legal.
– o gancho de marketing?
Eu vi INDO com minha mulher Kara e ela notou que na parte de trás da capa do DVD há uma imagem de uma garota bule de costas e de biquíni mais isso não faz parte do filme… Sim ( risos). Isso eu deixei aos especialistas no assunto… na verdade eu também achei fora do lugar, mas é uma daquelas coisas que você deixa-se levar… me disseram que isso vende… então… Até que as outras fotos não são parte do filme também não… acho. Talvez uma.
– o futuro
Sean vem de conseguir seu novo equipamento e já tem falando com alguns dos surfistas que não tem sido filmados muito para INDO. Um novo projeto já está em andamento em fase cerebral. Com um elenco similar, mas com uma produção de nível ainda mais alto, com afinamento de roteiro e som. Quero que seja, pelo menos duas vezes melhor. Visualmente mais alucinante. Quero me assegurar de captar a luz precisa, e nada de tremor da câmera. Tudo depende do equipamento. Equipamentos de água, heli-câmeras e, você sabe, no próximo projeto vamos utilizar câmeras 2K… Conhece? Não. Ah… mhh… mais alta qualidade. Mais impressionante.
Makasi pela entrevista Sean, parabéns e o melhor em teus futuros projetos. Legal, obrigado pelo interesse.
Para ver mais dos trabalhos de Sean, confira (Para pedir a sua copia original de INDO mande um e-mail ou passe por nusa)
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