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Richard E. Lewis e “Bones of the Dark Moon”

Sexta, Outubro 25, 2019 2 Comments 7 Likes
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Richard E. Lewis nasceu e foi criado em Bali, onde desenvolveu seu amor pela leitura, a escrita e o surf. Ele publicou três romances. Com “Bones of the Dark Moon”, Richard, tendo experimentado e testemunhado os tempos conturbados de Bali nos anos sessenta, investiga a turbulência sociopolítica do ano de 1965 e os assassinatos em massa ocorridos em Bali, envolvendo-os em um conto fictício que fará você virar página após página.

Como você se tornou escritor? Eu cresci lendo nos anos 60 em Bali. Na época não tínhamos eletricidade, muito menos televisão. Eu lia tudo o que me caia na mão. Os livros eram bastante raros, poucos turistas os deixavam antes de partir. Comecei a escrever minhas próprias histórias desde cedo. Como surgiu a idéia de “Bones of the Dark Moon”? Eu já a tinha desde criança. Os assassinatos em massa de 1965, que é o tema principal do romance, fazem parte da psique nacional da Indonésia. Tem a ver com a Gestapu (como é chamada na Indonésia). Antes de 1965, havia uma luta de poder político entre o Partido Comunista Indonésio e os conservadores, incluindo a maioria das Forças Armadas. Então, na noite de 30 de setembro de 1965, seis generais do exército em Jacarta foram seqüestrados e mortos por elementos rebeldes da Guarda Presidencial no que parecia ser uma tentativa de golpe de estado. Os conservadores o atribuíram ao KPI (Partido Comunista de Indonésia), e começaram os assassinatos em massa de comunistas e esquerdistas e de um grande número de pessoas inocentes.

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“… talvez um membro do partido comunista, mais provavelmente um membro de um sindicato ou de uma organização de reforma agrária. Completamente legal também. Ele quase certamente foi retirado e morto sem julgamento. Esse tipo de cena se repetiu inúmeras vezes em Bali.”

Que elementos você quis / tentou incluir no romance e por quê? O acontecido, por que aconteceu e quais são as consequências que permanecem até hoje. Para isto último, metade da história é contada desde a perspectiva de um homem balinês de meia-idade cujo pai, um professor de escola, desaparece em 1965 e nunca é encontrado. Por que esse título? A que se refere? Até hoje, escavações de projetos de desenvolvimento imobiliário (ou erosão da maré alta) ao longo da costa de Bali, em coqueiros remotos e tranquilos, ocasionalmente revelam ossos de enterros em massa de vítimas. Muitas pessoas na cidade de Klungkung, no leste de Bali, onde eu morava, foram mortas e jogadas no oceano, alimentando os tubarões com seus corpos. Eu não tenho surfado nenhuma dessas ondas de praia de areia preta do leste. Simplesmente não quero. Qual é o perfil do leitor para quem você o escreveu? Quem quiser ler! Eu não tinha um público específico em mente, embora obviamente as pessoas interessadas na Indonésia e Bali possam se sentir atraídas pela história. Havia algo além do fato de escrever o romance para você e seus leitores que você gostaria de conseguir com “Bones of the Dark Moon”? Sou mais que nada um contador de histórias, não um historiador ou filósofo. Mas eu queria apresentar uma perspectiva equilibrada como a vi durante esses eventos (que vivi quando criança); entre a versão oficial do governo indonésio de heróis nacionais que se levantaram e salvaram o país dos perigos do comunismo, e as versões de conspiração (e algumas acadêmicas) que tudo foi elaborado pela CIA.

Nas sociedades ocidentais, eventos que incluem assassinatos em massa como o ocorrido em 1965 são geralmente, quando o contexto sócio-político permite, revisados e até levados à justiça, é esse o caso das sociedades orientais ou, mais especificamente, neste caso, nas sociedades indonésias? Se não, por que não na sua opinião? Ainda é uma questão muito sensível. Alguns anos atrás, o famoso festival de leitores e escritores de Ubud estava dedicando grande parte de seu programa a 1965 e à cura e reconciliação, mas o governo caiu firme e disse à organização do evento que de jeito nenhum.

Você cresceu e viveu a maior parte da sua vida em Bali, certo? Você se considera balinês? Porque? Porque não? (Você fala balines?) Sim, eu nasci e me criei em Bali, mas desde os seis anos eu freqüentei internatos em Java e depois na Malásia. Sem ofender aos estrangeiros casados com balineses ou convertidos ao hinduísmo balineses, mas acho que os únicos balineses que são balineses são os balineses. Para mim, é mais do que uma etnia ou cultura. Você tem que nascer no clã e na herança ancestral, nos templos ancestrais e nos deuses ancestrais. Conte-nos um pouco sobre sua experiência crescendo em Bali. Meus pais se mudaram para Bali no início dos anos 50. Vivíamos no leste de Bali, abaixo do Monte Agung. Aos seis anos, comecei a freqüentar os internatos em Java e depois na Malásia, voltando para casa nas férias escolares. Era um rato de praia desde tenra idade. Alguns amigos da família (o diretor australiano-inglês do Bali leprosorio) tinham um bangalô entre os coqueiros de Kuta, onde agora está localizado o Hard Rock Hotel. Lá eu passava quanto mais tempo podia, brincando nas ondas. As crianças locais da minha idade usavam bambu e pedaços de madeira, que nem crianças, mas eu surfava as ondas com o corpo. Não tínhamos idéia sobre pranchas de surf (embora eu tenha certeza de que alguns anciãos da vila se lembrariam dos dias anteriores à Segunda Guerra Mundial e de Bob Koke com seu estilo de surf havaiano e seu hotel em Kuta).

Qual ou como é o seu relacionamento com os surfistas de Bali? Conheço a geração mais velha de surfistas balineses, alguns dos quais já faleceram. Não tanto a geração mais jovem. Bali ficou com crowd há muito tempo, e então comecei a viajar muito para as outras ilhas para encontrar ondas e surfar sozinho, em vez de surfar em casa. Embora qualquer surfista mais velho que lide com o crowd de hoje provavelmente anseie o crwod de vinte anos atrás, anos antes das escolas de surf.

Na sua experiência, os balineses estão interessados nos eventos descritos em “Bones of the Dark Moon”? Eles viveram isso. Alguns não querem revivê-lo, alguns querem justiça, outros querem reconciliação. No entanto, a geração mais jovem de milênials tem a sensação de que é uma história antiga.

Alguma obra de literatura ou autor de Bali ou da Indonésia que você recomenda aos seus leitores? O grande e velho mestre, já falecido, Pramoedya Ananta Toer. Das gerações recentes, entre outras, Ayu Utami, Laksmi Pamuntjak, Eka Kurniawan. Seus romances estão disponíveis em inglês.

Você viu Bali mudar imensamente desde os tempos em que você era criança, como vê o futuro de Bali? Parece-me que o futuro de Bali está ligado ao futuro de toda a nossa terra. Aquecimento global, poluição, excesso de desenvolvimento, muita ganância e poucos recursos (incluindo ondas).

Você é goofy ou regular? Regular. A primeira vez que eu vi uma prancha de surf foi em Kuta em 1970, mais ou menos. Não fazia ideia que o esporte existia. No dia seguinte, um carpinteiro me fez uma prancha de tábua de teca e um skeg. A coisa pesava cem libras. Consegui minha primeira prancha alguns anos depois. Aprendi a surfar em Kuta e depois fui para os recifes, muito mais em Nusa Dua que em Uluwatu. Os anos 70 foram a era de ouro do surf em Bali, muitos lugares ainda por descobrir na ilha. Os anos 80 e 90 foram a era de ouro da exploração do surf nas outras ilhas. Inúmeros aventureiros desconhecidos e sem nome saíram sem alarde e com apenas uma carta náutica e uma bússola para ver o que encontrariam e sem deixar vestígios. Tive a sorte de ter um barco de pesca e passei algumas décadas navegando pelas ilhas orientais. Nos primeiros anos, pegava o barco em Benoa e ia para a ilha de Serangan. Isso foi antes de a lagoa for aterrada e a ponte ser construída. Serangan era desconhecida, não podia ser visto de nenhum lugar e era provavelmente o pico de surf mais difícil de acessar na ilha.

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“Quando você vê isso do barco, ninguém queria perder tempo sentado no bote com uma câmera.”

Onde você costuma surfar hoje em dia? Perto da casa na costa leste. O tráfego me deixa louco. O que costumava ser um passeio tranquilo para uma tarde de surf, em, digamos, Impossibles, agora consome a maior parte do dia. Meu corpo envelhecido está maltratado, além de cirurgias nos joelhos, nas costas e nos ombros. Um dia, em uma prancha, precisando de um guindaste para me por de pé, percebi que seria mais fácil fazer o drop já de pé. Daí o SUP com o qual surfo hoje em dia. Não sou um convertido completo, ainda desejo poder remar deitado na prancha, mas também quero, de fato, surfar ondas. Agora, os SUPs mantêm você em forma. Você recebe uma série na cabeça num dia grande e precisa dar a volta toda. Os leashes personalizadas amarrados à mão são as melhores.

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“Lakey Peak, antes de ser “descoberta”. Nós éramos os únicos lá. Acho que este foi o último ano sém ninguém (nós somos eu e dois amigos no barco). No próximo ano, havia dez caras e o ano depois uns trinta. Nós nunca voltamos.”

Você tem um sistema de escrever, horário, rotina? Como foi sua experiência editorial? Ler muito. Escrever muito Sou um daqueles poucos que ainda foram publicados de maneira tradicional com um agente e uma editora de livros (Simon e Schuster), mas esse mundo tradicional de publicação foi virado de cabeça para baixo pela Internet e pela editoração eletrônica. É muito difícil ganhar a vida com isto. Ou até mesmo ser notado. Que outros romances seus estão disponíveis ao público? Sobre o que eles são? “The Flame Tree” (sobre um filho americano de médicos em Java e no contexto de 11 de setembro) e “The Killing Sea” (sobre o tsunami que devastou Aceh), ambos publicados por Simon e Schuster e disponíveis na Amazon. Onde pode-se obter uma cópia de “Bones of The Dark Moon”? Nas livrarias Periplus ou Ganesha, e também nas Nusa Surf Shops! Ou você pode entrar em contato comigo diretamente através do Facebook.

Algo que você deseja adicionar sobre “Bones of the Dark Moon”, ou sobre escrever, crescer e viver em Bali ou surfar? Às vezes me lembro de estar estacionado em um barco em frente a uma onda de classe mundial, sem ninguém por perto, tendo tido uma sessão e agora dando um tempo e lendo um livro enquanto ondas perfeitas ainda rolavam. Se eu soubesse o que aconteceria com barcos fretados, acampamentos, resorts e crowds, ainda estaria surfando até não poder mais remar.

Bones of the Dark Moon. Richard E. Lewis.

“Bones of the Dark Moon”: romance que investiga os assassinatos em massa de Bali em 1965 e a cultura balinesa. Richard E. Lewis nascido e criado em Bali.

“Bones of the Dark Moon” é um romance de ficção baseado em eventos históricos verdadeiros. Saltando para frente e para trás no tempo, Richard nos leva através das vicissitudes de distintivos personagens de Bali, Indonésia e Ocidente, arrastado pelas mudanças e eventos sociopolíticos dos tempos difíceis de Bali e da Indonésia do ano de 1965 e hoje. Uma rede de personagens e eventos em que romance, espionagem, intriga, segredos de família, amor, enganos, redenção e até o surf se desenvolvem de uma maneira tão única como a sociedade balinesa de ontem e de hoje, nos dando uma melhor compreensão das tradições, cultura e idiossincrasia de Bali passadas e presentes.

Se você gosta de romances ficcionais históricos e está interessado na rica sociedade de Bali e em como ela lidou e lida com as mudanças sociais e políticas, obtenha uma cópia de ” Bones of the Dark Moon “.

Você pode obter uma cópia de “Bones of the Dark Moon” diretamente de Richard ou apoiar também nosso trabalho comprando em nossas lojas ou em nossa loja virtual.

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