soul talk

Ignacio Bussy Argentina, 1974

Segunda, Março 16, 2015 4 Comments 7 Likes
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Ignacio é um goofy footer argentino, mora no Uruguai, e possui, em Bali, uma empresa de fabricação e exportação de sandálias. Sua linha de trabalho o traz duas ou três vezes por ano á Bali. Ele também viaja aos Estados Unidos, onde comercializa seus produtos e ao Uruguai onde pratica o kite-surf (tendo o Uruguai condições muito melhores para o kite que para o surf de ondas). Velho amigo nosso, convidamos ele para nosso primeiro SOUL TALK para nos contar, como bule, o qué é que ele tem a dizer sobre Bali.

Ignacio, faz quanto tempo que você vem à Bali? Dez anos. O que foi que te trouxe à Bali em primeira instância? O surf e a possibilidade de fazer algum negócio. Mas mais do que nada, o surf. O que foi que te fez voltar? As ondas. E eu também comecei a passar muito tempo aqui montando uma empresa e surfando. Também foi aqui onde eu conheci a minha mulher, então, Bali virou parte d… é parte da minha vida. Desde a primera vez que você veio, Bali tem mudado muito, o que você pensa ao respeito? Sim, tem mudado muito, como o resto do mundo. Mas em Bali o câmbio tem sido muito grande e certamente nã é a Bali que era antes. Se eu estivesse hoje vindo à Bali pela primeira vez, eu não me teria aferrado. Não gosto do que Bali tem se transformado. E o crowd no surf? Sim, o crowd é bastante chato. Suponho que para os australianos ou para os que não moram tão longe esta bem, mas para quem mora no outro lado do planeta, não vale a pena. Eu não viria á Bali para surfar. Eu iria para outras ilhas. Entâo vemos que você é um desses tantos bules que ao parecer se queixam sobre como Bali tem e esta mudando, e contudo, segue voltando cada ano. Porquê? Sim, é verdade que venho a cada quatro meses, mas como eu disse, temos uma empresa aqui e essa é provavelmente a razão pela qual voltamos.

Qual é a tua área favorita? ¿Para que? ¿Para surfar, para morar ou para que? Em geral, qual você diria que é tua parte favorita de Bali? Bom, sempre foi a zona do Bukit e Uluwatu, embora últimamente esta se transformando cada vez mais em um circo. Qual é a tua temporada favorita? Septembro –Outubro. O crowd em Bali, é realmente impossível? Depende do ano. Cada ano câmbia, dependendo de o que tão boa seja a temporada em o que ser refere ás ondas. Este ano, por exemplo, tenho a impressão de que, pela primeira vez, talvez muita gente tenha optado por não vir á Bali porque as duas temporadas anteriores o crowd foi impossível. Quais são os teus spots favoritos? Bingin … não sei… isso, Bingin. ah… a costa sul tem muitos lugares que em algums dias ficam muito bons. Você preferiría surfar Secrets no seu melhor dia sem crowd ou Bingin no seu melhor dia com crowd? DeDepende do dia. O mehor dia dos melhores días das duas: Secrets sem crowd e Bingin com muito crowd. Obviamente você sempre quer surfar con menos gente, assim que, sim, sem crowd mas sempre e quando estiver bom. Você é um surfer agressivo ou pacífico? Eu sou pacífico no que se refere á lidar com o crowd. Sou agressivo em como eu remo e surfo as ondas. Como você vê o localismo em Bali? É, bom… os locais não tem absolutamente respeito nenhum pelos outros. De algum jeito, é compreensível, mas também, se não fosse pelos bules, não estariam sequer surfando agora. Assim que não sei realmente como encarar isso. O localismo esta extendido por todo o Bukit? Em os spots principais, sim, mas não nos outros. Quais tem localismo e quais não? Os spots clássicos tem localismo. Bingin, Padang-Padang, Uluwatu. Os outros não. Dos que não tem localismo, tem algum de primera classe? Depende do dia. Por exemplo? Impossibles e outros spots na costa sul como Green Bowls e outros.

Recém você nos falava de que se esta fosse a sua primeira vez em Bali, não voltaria e iria para outras ilhas, mas de outros papos que nos tivemos, sabemos em raras vezes você faz surf trips ás outras ilhas da Indonésia. Porque? Porque, como eu já falei, já não venho á Bali a surfar. Tenho esposa e três filhas e venho á Indonésia para trabalhar. Com sorte eu fazo um surf nos domingos. Não tenho tempo para ir ás outras ilhas. Eu estou em Bali o tempo que meu trabalho o requer e depois eu voô de volta para Uruguai.

De que maneira Bali tem te dado na tua vida? Ela tem sido generosa contigo? Claro, quase que tudo o que eu tenho é graças á Bali. Ao que você se refere com tudo o que tem? Minha empresa eu a armei aquí, o que me permetiu ter uma casa no outro lado do planeta, assim que eu me refiro a tudo o que eu tenho desde um ponto de vista material. De fato, na verdade, eu também conheci a minha mulher aquí. Também minhas duas filhas foram concebidas e têm pasado muito tempo em Bali. Assim que tem muito de Bali na minha vida. Então Bali tem te dado não só desde o ponto de vista de trabalho, te dando a oportunidade de começar uma empresa e uma carreira na indústria de manufatura de sandálias, senão que também muito desde o ponto de vista de tua familia. E que foi do ponto de vista de crescimento espiritual? Bali tem te dado alguma coisa nesse respeito? Nos primeiros anos sim. Agora já não. Em parte porque Bali é uma Bali diferente, e em parte porque eu vejo Bali com olhos diferentes. Então Bali tem te dado desde um ponto de vista de trabalho, desde um ponto de vista material, desde o ponto de vista da família e também desde um ponto de vista espiritual. De que maneira você tem dado em retorno á Bali? Ou tal vez, de qual maneira você dá em retorno á Bali? Bem, tenho uma fábrica aqui, pelo que eu dou trabalho a muita gente. É a mesma gente com quem eu comecei a trabalhar desde o início. Nós somos como uma…ah…grande família, para falar assim. Assim que eu sinto que essa é minha maneira de dar em retorno. Não sei

Você trabalha em Bali com indoneses e nos Estados Unidos [onde você comercializa seus produtos] com americanos. Têm diferenças entre eles em termos de cultura laboral? Não sabería dizer, porque o trabalho que se faz aquí é bem diferente do trabalho que se faz lá. Não poderia comparar um com o outro. Há, talvez, alguma característica que os distinga uns dos outros? Não, na verdade não. Além, nos Estados Unidos eu trabalho só com duas pessoas, o resto do trabalho é terceirizado, aquí eu trabalho com muito mais gente por isso é difícil de comparar. Em termos gerais, não só da ética de trabalho; qual é o rasgo da personalidade mas distintiva dos balineses, os americanos, os uruguaios e os argentinos? Você esta comparando uma cultura ocidental (argentinos, uruguaios e americanos entrariam nessa cultura ocidental), com uma cultura oriental. Há muitas coisas de sentido comum básico no mundo ocidental que no é tão básico na Asia. Esta é, principalmente, a grande diferença. Viu, coisas que você da por sentado não são assim aquí. Mas tudo pode se mudar. É só uma questão de tempo.

Como você gostaria que Bali evoluisse no futuro? Não entendo muito bem o que você quer dizer com evoluir. De que maneira você gostaria que Bali mudasse daqui para frente? Não é uma coisa na que eu realmente pense. Do jeito em que tem mudado nesse ultimos seis á oito anos, mostra uma tendência em direção a alguma coisa mais tipo Miami na Flórida que em direção a uma ilha tropical asiática. Eu não me ponho a imaginar realmente como evoluira. Eu não acho que esteja indo na direção correta, mas, quem sou eu para dizer? Acho que voar falésias para construir hotéis gigantes e horríveis…eh… eu não acho certo. Mas é assim. Os baline…eh…tipo… carros! Acabo de ver passar um mercedes monstro! Há alguma coisa de errado em que alguém dirija um Mercedes monstro em Bali? Não, nada errado, mas é ao custo que eles o fazem. Sacou? Destruem tudo e contruem por todas partes e se é o que querem… é á eles. É a sua ilha. Podem fazer o que eles quiserem mas eu acho… Por isso eu não me ponho a pensar, “pô, o que será de Bali? Simplesmente eu não o fazo. Você tem carro? Não. Tem carro no Uruguai onde mora? Ah, sim, tenho. Qual tipo de carro? Tenho um Toyota Hillux ´95. Qual motor? Sei lá. Um 2.8?

Alguma vez construiu uma casa? Sim, construí minha casa. Ou seja, não a construi eu mesmo, né… Onde é a sua casa? No Uruguai. Podería descrever a zona? Sim. Está sobre umas dunas de areia amarela e por isso construimos ela sobre pilares. É uma zona ajetreada o mais tipo campo? Tipo campo. Fica lotado no verão e vazio no inverno. Você recomenda á galera vir á Bali? Sim, recomendo. Como assim também recomendo á galera de irem para Las Vegas. É sempre bom ir a lugares pelo menos uma vez. Falamos de como Bali tem te dado desde um ponto de vista de profissional, material, de familia e também espiritual. E sobre o ponto de vista do surf? Bali tem te dado no que se refere a teu surf? É claro! Tem me dado, eu diria, um sessenta por cento do que eu sei de ondas. Você tem alguma seção memorável de Bali? Sim! Minhas seções mais memoráveis tem sido em Padang-Padang. De fato, faz três dias, foi em quinze ou dezeseis de outubro mais o menos, eu surfei o melhor e maior Padang que eu já tinho visto na minha vida. Muito crowd? Sim, muito. Mas tinha ondas. Você sabe, né, Padang não é do tipo pegar uma onda atrás da outra. Você pega duas em uma seção e são as ondas da tua vida. Falando em ondas da tua vida, recém, sem o microfone, você me falou sobre o tubo da tua vida em Padang. Poderia contar ao microfone como foi? Não sei muito bem como contar. Foi uma tubo muito bom e largo. Botei no tubo desde o take off e fiquei dentro a onda inteira, por momentos eu ficava perto do olho e logo voltava para bem dentro e logo ficava perto de novo e de novo voltava bem dentro até que eu saí e botei de novo no tubo da ultima seção. Foi uma onda muito boa. Com sorriso? De orelha a orelha. Va a voltar á Bali? Sim, venho cada quatro meses.

Makasi Ignacio.

Sama sama.

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